Eu demorei, esqueci, lembrei, me chateei e até pensei em excluir o blog. Mas me deu vontade de escrever, de continuar. Aqui é meu cantinho. Vou ficar.
Aos brados
Eu não quero a poesia pensada,
Ritmada, cheia de métrica.
Quero prosa, confusão,
Paralelepípedo, engarrafamento.
Quero tempo nublado,
Ou um sol escaldante
Quero árvore seca,
Um gato, um preá.
Não quero rima,
Quero loucura, insanidade,
Quero críticas tolas
Pra poder rir de deboche.
Cansei de decassílabos,
Das redondilhas,
Dos trocadilhos.
Quero jogo de futebol.
Cansei de domingo no cinema,
Cansei de novela, de TV,
Quero rádio e um livro de receitas de geléia.
Cansei das normas,
Das leis burguesas,
Da maquinaria,
Cansei da frieza, do jogo,
Da falta de ritmo.
Eu quero é falta de noção!
Quero andar descalça,
Fazer desenho com giz de cera,
Gritar bem alto.
Quero uma inseticida.
Quero ler o que não me interessa,
Ouvir o que eu não entendo
E morrer de amor.
Quero pular de alegria,
Quebrar salto alto,
Andar a pé,
Esquecer os modos.
Cansei de lirismo,
Hoje eu quebro tudo.
Vou passar por cima
Das infelizes convenções.
Quero ler o que não me interessa,
Ouvir o que eu não entendo
E morrer de amor.
Luisa Iva
em 23/08/2009
Até breve.
Ponto final.
domingo, 23 de agosto de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Pegadas.
Só pra deixar miha marca, minha pegada, meu "oi".
A culpa da introdução pobre e da poesia velha é toda do vestibular. Podem brigar com ele, eu deixo!
Estrelário
A estrela no peito,
No céu da boca,
Das duas bocas
Brilhou de um jeito,
Da forma louca
Que ficou pra decifrar.
A estrela brilhando
Nos olhos,
Dos olhos nos olhos
Foi se acostumando
Com a paisagem do lugar.
O brilho do céu,
Da boca,
Do céu da boca,
Dos olhos,
Do ar;
Deixava aquela estrela
Parecer pequena,
Parecer miúda,
Mas sem se apagar.
Que seria estrela?
Seria lama?
Seria drama?
Conta de colar?
Quem sabe um dia
Se descubra estrela,
Mais nova chama
Que vai se incendiar.
Luisa Iva
2008
Ponto final.
A culpa da introdução pobre e da poesia velha é toda do vestibular. Podem brigar com ele, eu deixo!
Estrelário
A estrela no peito,
No céu da boca,
Das duas bocas
Brilhou de um jeito,
Da forma louca
Que ficou pra decifrar.
A estrela brilhando
Nos olhos,
Dos olhos nos olhos
Foi se acostumando
Com a paisagem do lugar.
O brilho do céu,
Da boca,
Do céu da boca,
Dos olhos,
Do ar;
Deixava aquela estrela
Parecer pequena,
Parecer miúda,
Mas sem se apagar.
Que seria estrela?
Seria lama?
Seria drama?
Conta de colar?
Quem sabe um dia
Se descubra estrela,
Mais nova chama
Que vai se incendiar.
Luisa Iva
2008
Ponto final.
sábado, 25 de abril de 2009
Mão no mouse, mão no mundo.
Ctrl C Ctrl V
- Ai, meu Deus!
Respirou. Já transpirava. Não estava tanto calor assim.
- Ai, meu Deus!
Exercício mental também cansa. Ela sabia disso. Coçou a cabeça uma, duas vezes. Apoiou a mão no queixo.
- Ui... E agora?
Ela sabia que não era por ali. Sabia disso. Já tinha visto alguém fazer diferente antes. O que mesmo a Julinha lhe tinha explicado? Como era que se fazia?
- Ai, meu Deus!
Deus já devia estar preocupado de tanto que lhe evocava o nome. Ela transpirava. Trinta minutos já haviam corrido.
“Agora vai, agora vai.” Não foi. Não foi mesmo. Tudo errado. Teria que desfazer o que já tinha feito?
- Ai, meu Deus!
Ela tinha dado ênfase no “a” do ai. Isso não era bom, era desespero. Mas ela estava determinada. Esticou os braços, alongou o pescoço. Tudo lhe doía.
Na sua época, pensava, nada disso era necessário. Era-se feliz simplesmente. Sem fast-food, sem videogame, sem celular e sem aquela maquininha que lhe tirava o sono.
A luz que dela saía era encantadora, realmente fascinante. Via os mais jovens mexerem nela com tanta facilidade... Por que lhe resultava tão difícil?
Mas ela não desistia. Já tinha conseguido selecionar o texto na página da internet. Estava tudo azulzinho.
Suspirou, respirou fundo, agarrou aquele “trequinho de clicar”.
Botão direito.
- Ai, meu Deus!
Abriu uma janelinha. Chegou mais perto para ver. Leu baixinho.
- Copiar. Uhm... Copiar.
Apertou meio desconfiada. Não percebeu, mas tinha prendido a respiração.
Abriu o Word.
- Ai, meu Deus!
Olhou a página em branco. Botão direito. Janelinha aberta.
- Colar.
Clicou. Fechou os olhos levemente.
Quando soltou a respiração, a página já estava toda preenchida. Benditas letrinhas!
Sorriu pela sua conquista.
- Ai, meu Deus!
Dessa vez, não era um apelo, era agradecimento.
Luisa Iva
em 25/04/2009
Texto para o Movimento Blog Voluntário - contra o analfabetismo digital.
Vamos valorizar o esforço de quem está começando a se inserir no mundo virtual, galera!
Ponto final pontocompontobr.
- Ai, meu Deus!
Respirou. Já transpirava. Não estava tanto calor assim.
- Ai, meu Deus!
Exercício mental também cansa. Ela sabia disso. Coçou a cabeça uma, duas vezes. Apoiou a mão no queixo.
- Ui... E agora?
Ela sabia que não era por ali. Sabia disso. Já tinha visto alguém fazer diferente antes. O que mesmo a Julinha lhe tinha explicado? Como era que se fazia?
- Ai, meu Deus!
Deus já devia estar preocupado de tanto que lhe evocava o nome. Ela transpirava. Trinta minutos já haviam corrido.
“Agora vai, agora vai.” Não foi. Não foi mesmo. Tudo errado. Teria que desfazer o que já tinha feito?
- Ai, meu Deus!
Ela tinha dado ênfase no “a” do ai. Isso não era bom, era desespero. Mas ela estava determinada. Esticou os braços, alongou o pescoço. Tudo lhe doía.
Na sua época, pensava, nada disso era necessário. Era-se feliz simplesmente. Sem fast-food, sem videogame, sem celular e sem aquela maquininha que lhe tirava o sono.
A luz que dela saía era encantadora, realmente fascinante. Via os mais jovens mexerem nela com tanta facilidade... Por que lhe resultava tão difícil?
Mas ela não desistia. Já tinha conseguido selecionar o texto na página da internet. Estava tudo azulzinho.
Suspirou, respirou fundo, agarrou aquele “trequinho de clicar”.
Botão direito.
- Ai, meu Deus!
Abriu uma janelinha. Chegou mais perto para ver. Leu baixinho.
- Copiar. Uhm... Copiar.
Apertou meio desconfiada. Não percebeu, mas tinha prendido a respiração.
Abriu o Word.
- Ai, meu Deus!
Olhou a página em branco. Botão direito. Janelinha aberta.
- Colar.
Clicou. Fechou os olhos levemente.
Quando soltou a respiração, a página já estava toda preenchida. Benditas letrinhas!
Sorriu pela sua conquista.
- Ai, meu Deus!
Dessa vez, não era um apelo, era agradecimento.
Luisa Iva
em 25/04/2009
Texto para o Movimento Blog Voluntário - contra o analfabetismo digital.
Vamos valorizar o esforço de quem está começando a se inserir no mundo virtual, galera!
Ponto final pontocompontobr.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Amor, inspirações.
Digamos que o poema seja uma "parceria" com Vinicius de Moraes (Soneto de Fidelidade).
Amor, inspirações.
De tudo ao meu amor serei atento
Não que seja atenção o meu forte
Ou que tenha tido ao encontrá-lo
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
E a cada dia, a cada nova hora
A cada instante mudo, a cada respirar
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
E meus olhos, e meu riso e minha alma.
Quero vivê-lo em cada vão momento
Porque momento de amor nunca é vão
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
Em cada esquina, em cada pedaço de chão
E rir meu riso e derramar meu pranto
De lágrimas transparentes brilhantes de amor
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Porque deixar a vida seria abdicar de ti
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
E dor que transcende a morte
Eu possa dizer do amor (que tive)
E tenho, e vivo, e guardo no peito:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Eu posso abrir uma exceção:
Quer durar para sempre?
Luisa Iva, 22/04/2009
Reticências, corações, suspiros
E ponto final.
Amor, inspirações.
De tudo ao meu amor serei atento
Não que seja atenção o meu forte
Ou que tenha tido ao encontrá-lo
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
E a cada dia, a cada nova hora
A cada instante mudo, a cada respirar
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
E meus olhos, e meu riso e minha alma.
Quero vivê-lo em cada vão momento
Porque momento de amor nunca é vão
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
Em cada esquina, em cada pedaço de chão
E rir meu riso e derramar meu pranto
De lágrimas transparentes brilhantes de amor
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Porque deixar a vida seria abdicar de ti
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
E dor que transcende a morte
Eu possa dizer do amor (que tive)
E tenho, e vivo, e guardo no peito:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Eu posso abrir uma exceção:
Quer durar para sempre?
Luisa Iva, 22/04/2009
Reticências, corações, suspiros
E ponto final.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Deliciosas coincidências
Não sei por que, mas o acaso me atrai. Tudo que é coincidência se torna mais atraente, mais vívido. O planejado é estático, determinado, invariável. Chato isso, muito chato.
As surpresas são inesperadamente maravilhosas. É lindo ser surpreendido! Seja com pequenos gestos, pequenas palavras ou uma mudança repentina que ocasiona um bom desfecho. Surpresa só não é boa quando não dá certo.
E o que o destino nos apronta? Ninguém sabe. Mas é bem mais gostoso não saber...
Deixa acontecer!
Lasanha no forno
Chegara atrasado do trabalho. Um milhão de formulários, milhares de assinaturas, telefones berrantes e um trânsito caótico. Mais um dia movimentado e seu maior desejo agora era a cama. Deitar-se, dormir e esquecer.
Passou a porta da entrada, tirou os sapatos e sentiu o alívio de movimentar os dedos dos pés. Livrou-se também do relógio, da gravata, da maleta e do cinto. Dobrou as mangas da camisa, não entendendo o porquê daquelas roupas quentes num país tropical como o Brasil. Pensou em como seria maravilhoso trabalhar de bermuda e chinelos de dedo.
Entrou no banheiro, despiu-se e sentiu a água gelada correr e esfriar seu corpo. O estômago roncou e ele lembrou-se de que não tivera tempo de almoçar no trabalho. Saiu do banho, colocou um pijama e foi procurar o que comer.
Lasanha congelada. Perfeito. Simples, gostosa e o melhor: bem rápida. Seria a sua refeição. Abriu uma garrafa de vinho, se achando merecedor dessa regalia.Era nessas horas que pensava que não dedicava tempo a si, a se satisfazer, só focava o trabalho. Colocou a lasanha no forno.
- Alô – atendeu o telefone no primeiro toque.
- Carlos? É o Carlos que tá falando?
- Não tem Carlos nenhum aqui não.
- Não mente pra mim não, Carlos. Eu sei que é você! Assume! Diz logo que é você, Carlos! – a voz da mulher ao telefone transparecia que, do outro lado da linha, ela estava tensa e até com um tom de choro na voz.
- Eu já te disse que não sou Carlos. – desligou.
- Alô. - O telefone tocou novamente.
- Desculpe. Não queria ter sido grossa. - a mulher parecia realmente constrangida. - É que o Carlos, o cretino do Carlos, me deu seu número de telefone dizendo que era dele.
- Tudo bem. – ele não se sentiu confortável parar dizer nada além disso.
- Obrigada. Meu nome é Mônica. E você? Como se chama? Eu já sei que não é Carlos. – Ela riu nervosa.
- Felipe.
- Você se importa de conversar comigo, Felipe?
Ela não pôde recusar, mesmo que, no seu íntimo, quisesse desligar o telefone e mandar a moça parar de querer contar seus problemas a estranhos. Mônica contou sua história, falou sobre Carlos, seu ex-marido, que queria a guarda do filho de 1 ano. Contou sobre a vida... Felipe ouviu, ficou mais à vontade e reconfortou-a como se já a conhecesse.
- Ah, Felipe! Bem que eu sabia que você era uma cara legal!
Um cheiro forte, estranho e cada vez mais acentuado vinha da cozinha.
- A lasanha! – Felipe deu um salto.
- O quê? Lasanha?
- Queimou! Ah, meu Deus! Queimou! Um minuto...
Correu na cozinha, desligou o forno. Não mexeria na vasilha tão cedo, queria deixar esfriar.
- Oi. Voltei.
- Foi culpa minha, né?
- Não, não foi. Eu que me distraí.
- Eu ainda acho que fui eu, e faço questão de me desculpar.
- Pessoalmente? – ele não entendeu que impulso o levou a dizer aquilo, mas apreciou a idéia.
- Sim. E eu levo uma pizza.
Ela riu. Ele deu o endereço. Parecia coisa de louco, mas ele confiava nela. Despediram-se e desligaram. Em uma hora ela chegaria,
É, valeu a pena queimar a lasanha... Aqueceu o coração.
Luisa Iva.
25/03/2009
As surpresas são inesperadamente maravilhosas. É lindo ser surpreendido! Seja com pequenos gestos, pequenas palavras ou uma mudança repentina que ocasiona um bom desfecho. Surpresa só não é boa quando não dá certo.
E o que o destino nos apronta? Ninguém sabe. Mas é bem mais gostoso não saber...
Deixa acontecer!
Lasanha no forno
Chegara atrasado do trabalho. Um milhão de formulários, milhares de assinaturas, telefones berrantes e um trânsito caótico. Mais um dia movimentado e seu maior desejo agora era a cama. Deitar-se, dormir e esquecer.
Passou a porta da entrada, tirou os sapatos e sentiu o alívio de movimentar os dedos dos pés. Livrou-se também do relógio, da gravata, da maleta e do cinto. Dobrou as mangas da camisa, não entendendo o porquê daquelas roupas quentes num país tropical como o Brasil. Pensou em como seria maravilhoso trabalhar de bermuda e chinelos de dedo.
Entrou no banheiro, despiu-se e sentiu a água gelada correr e esfriar seu corpo. O estômago roncou e ele lembrou-se de que não tivera tempo de almoçar no trabalho. Saiu do banho, colocou um pijama e foi procurar o que comer.
Lasanha congelada. Perfeito. Simples, gostosa e o melhor: bem rápida. Seria a sua refeição. Abriu uma garrafa de vinho, se achando merecedor dessa regalia.Era nessas horas que pensava que não dedicava tempo a si, a se satisfazer, só focava o trabalho. Colocou a lasanha no forno.
- Alô – atendeu o telefone no primeiro toque.
- Carlos? É o Carlos que tá falando?
- Não tem Carlos nenhum aqui não.
- Não mente pra mim não, Carlos. Eu sei que é você! Assume! Diz logo que é você, Carlos! – a voz da mulher ao telefone transparecia que, do outro lado da linha, ela estava tensa e até com um tom de choro na voz.
- Eu já te disse que não sou Carlos. – desligou.
- Alô. - O telefone tocou novamente.
- Desculpe. Não queria ter sido grossa. - a mulher parecia realmente constrangida. - É que o Carlos, o cretino do Carlos, me deu seu número de telefone dizendo que era dele.
- Tudo bem. – ele não se sentiu confortável parar dizer nada além disso.
- Obrigada. Meu nome é Mônica. E você? Como se chama? Eu já sei que não é Carlos. – Ela riu nervosa.
- Felipe.
- Você se importa de conversar comigo, Felipe?
Ela não pôde recusar, mesmo que, no seu íntimo, quisesse desligar o telefone e mandar a moça parar de querer contar seus problemas a estranhos. Mônica contou sua história, falou sobre Carlos, seu ex-marido, que queria a guarda do filho de 1 ano. Contou sobre a vida... Felipe ouviu, ficou mais à vontade e reconfortou-a como se já a conhecesse.
- Ah, Felipe! Bem que eu sabia que você era uma cara legal!
Um cheiro forte, estranho e cada vez mais acentuado vinha da cozinha.
- A lasanha! – Felipe deu um salto.
- O quê? Lasanha?
- Queimou! Ah, meu Deus! Queimou! Um minuto...
Correu na cozinha, desligou o forno. Não mexeria na vasilha tão cedo, queria deixar esfriar.
- Oi. Voltei.
- Foi culpa minha, né?
- Não, não foi. Eu que me distraí.
- Eu ainda acho que fui eu, e faço questão de me desculpar.
- Pessoalmente? – ele não entendeu que impulso o levou a dizer aquilo, mas apreciou a idéia.
- Sim. E eu levo uma pizza.
Ela riu. Ele deu o endereço. Parecia coisa de louco, mas ele confiava nela. Despediram-se e desligaram. Em uma hora ela chegaria,
É, valeu a pena queimar a lasanha... Aqueceu o coração.
Luisa Iva.
25/03/2009
Ponto final.
E bom apetite.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Eis que surjo novamente.
Quanto tempo! E nem me fale em tempo... Eu não tenho tempo mais nem pra mim, quanto mais pra ficar atualizando o blog. Mas, eu sinto falta, sinto mesmo.
Nesses meses eu só faço uma coisa (e com muita maestria, diga-se de passagem): RECLAMAR.
Eu reclamo com que está do meu lado, reclamo na internet (nas raras vezes em que eu tenho tempo pra ela), até ligar pras pessoas somente com o intuito de reclamar eu estou fazendo.
Eu reclamo 2 horas, estudo 10 minutos. Estudo duas horas, reclamo mais uns 20 minutos. Normalmente o tempo da reclamação é maior.
E, nesse clima de reclamação, revolta e afins: A poesia (que veio do fundo da gaveta):
Ode aos errantes
O erro faz crescer
Alimenta a alma em sua longa missão.
E em teus passos trôpegos,
Sem rumo e equilíbrio,
Constrói-se uma ponte sólida.
Erra!
Erra e orgulha-te!
Repensa, reage,
E segue...
Segue...
Segue errando na tua paz!
Em teus erros já me espelho,
Quero errar como tu erras
E desprezar meus pés cortados
De tanto pisar em pedras.
Errantes, olhai em volta!
Quantas pontes edificadas!
Quantas pedras removidas!
E em vossos pés calejados,
Eis o mapa de vossas vidas!
Luisa Iva Maia Forte
28/12/2007
Ponto Final.
Até a próxima.
Nesses meses eu só faço uma coisa (e com muita maestria, diga-se de passagem): RECLAMAR.
Eu reclamo com que está do meu lado, reclamo na internet (nas raras vezes em que eu tenho tempo pra ela), até ligar pras pessoas somente com o intuito de reclamar eu estou fazendo.
Eu reclamo 2 horas, estudo 10 minutos. Estudo duas horas, reclamo mais uns 20 minutos. Normalmente o tempo da reclamação é maior.
E, nesse clima de reclamação, revolta e afins: A poesia (que veio do fundo da gaveta):
Ode aos errantes
O erro faz crescer
Alimenta a alma em sua longa missão.
E em teus passos trôpegos,
Sem rumo e equilíbrio,
Constrói-se uma ponte sólida.
Erra!
Erra e orgulha-te!
Repensa, reage,
E segue...
Segue...
Segue errando na tua paz!
Em teus erros já me espelho,
Quero errar como tu erras
E desprezar meus pés cortados
De tanto pisar em pedras.
Errantes, olhai em volta!
Quantas pontes edificadas!
Quantas pedras removidas!
E em vossos pés calejados,
Eis o mapa de vossas vidas!
Luisa Iva Maia Forte
28/12/2007
Ponto Final.
Até a próxima.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Apagar, esclarecer, clarear.
Meus professores me diziam há bem pouco tempo atrás que idéia tinha acento agudo, que usava-se acento diferencial para distinguir as palavras, e que lingüiça e conseqüência sempre levavam trema. Todavia, sempre é uma definição vasta demais e além de tudo, perigosa. “A casa caiu”. O conceito que estava definido para os estudantes, para os professores, gramáticos, publicitários, advogados e falantes da língua se retirou de cena sem nem sequer receber aplausos ou vaias. Só se foi. O trema vai deixando aos poucos nossas gramáticas, os hífens mudam de lugar, somem e desaparecem nas palavras nos dicionários. Não, não é o fim do mundo, é a Reforma.
Mudar padrões, conceitos e temas que já têm espaço garantido é um desafio. Desafio de aceitação, desafio de adaptação, de coerência e de padronização. Para um jovem de hoje, pensar que o bê-á-bá que seus filhos aprenderão será diferente do seu, assusta. Para qualquer um de nós, pensar que a nossa antiga infra-estrutura vai virar a enorme infraestrutura com todas as letras juntas, assusta. E que qualquer feito heróico, será pura e simplesmente heroico, assusta também. O começo é descoberta, espanto, pasmo. O que era de nosso domínio, sai da nossa “zona de conforto” e começa a fugir de nossas mãos.
É difícil pensar que uniformizar a língua talvez seja cortar suas asas. É tão bonito ver as diferenças, as singularidades e até aquele jeito “abrasileirado” de falar, que, depois de um tempo, deixou de ser incorreto para virar informal, idiossincrático. A cristalização é que não é bonita. Ela é densa, pesada demais. E essa linguagem densa, sobrecarregada, linguagem de terno e gravata, enfadonha, nada tem a ver com o nosso espírito brasileiro que é leve, expansivo e tem aquele tempero que é diferente em cada um de nós.
E se um dia ninguém lembrar do trema? Verdade é que muitas pessoas não sabiam utiliza-lo, mas ele estava lá. Será que, quando finalmente formos obrigados a fazer uso da língua reformada, não sentiremos um vazio nas gramáticas e lembramos com saudade dos “dois pinguinhos em cima do u”? Será que a feiúra vai ficar mais feia sem acento, ou a pêra vai ser menos suculenta sem o gracioso “chapeuzinho” acima do e?
É fato que terão que se adaptar os livros, os anúncios, os romances, as bulas de remédio, os roteiros de viagem, as provas, os encartes de supermercado... Mas, e nós? Será que conseguiremos apagar e depois preencher as lacunas da nossa memória?
Mudar é preciso, mas ninguém nunca disse que era fácil.
Ponto final.
(Pelo menos ele não foi reformado)
Mudar padrões, conceitos e temas que já têm espaço garantido é um desafio. Desafio de aceitação, desafio de adaptação, de coerência e de padronização. Para um jovem de hoje, pensar que o bê-á-bá que seus filhos aprenderão será diferente do seu, assusta. Para qualquer um de nós, pensar que a nossa antiga infra-estrutura vai virar a enorme infraestrutura com todas as letras juntas, assusta. E que qualquer feito heróico, será pura e simplesmente heroico, assusta também. O começo é descoberta, espanto, pasmo. O que era de nosso domínio, sai da nossa “zona de conforto” e começa a fugir de nossas mãos.
É difícil pensar que uniformizar a língua talvez seja cortar suas asas. É tão bonito ver as diferenças, as singularidades e até aquele jeito “abrasileirado” de falar, que, depois de um tempo, deixou de ser incorreto para virar informal, idiossincrático. A cristalização é que não é bonita. Ela é densa, pesada demais. E essa linguagem densa, sobrecarregada, linguagem de terno e gravata, enfadonha, nada tem a ver com o nosso espírito brasileiro que é leve, expansivo e tem aquele tempero que é diferente em cada um de nós.
E se um dia ninguém lembrar do trema? Verdade é que muitas pessoas não sabiam utiliza-lo, mas ele estava lá. Será que, quando finalmente formos obrigados a fazer uso da língua reformada, não sentiremos um vazio nas gramáticas e lembramos com saudade dos “dois pinguinhos em cima do u”? Será que a feiúra vai ficar mais feia sem acento, ou a pêra vai ser menos suculenta sem o gracioso “chapeuzinho” acima do e?
É fato que terão que se adaptar os livros, os anúncios, os romances, as bulas de remédio, os roteiros de viagem, as provas, os encartes de supermercado... Mas, e nós? Será que conseguiremos apagar e depois preencher as lacunas da nossa memória?
Mudar é preciso, mas ninguém nunca disse que era fácil.
Ponto final.
(Pelo menos ele não foi reformado)
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