Querido Papai Noel,
Já me disseram que o senhor não existe e, há pelo menos uns 15 anos, eu sei que a minha mãe compra meus presentes de Natal. Só que aconteceu uma coisa, bom velhinho, que acho que nem o Super – Homem poderia resolver...
Pensando nisso, a única solução que achei foi tentar enviar essa carta ao Pólo Norte, com a esperança de que na sua fabulosa Fábrica de Brinquedos se encontre a solução para o meu problema.
Acontece, Papai Noel, que eu tenho um congelador. Um congelador enorme. Grande, grande mesmo. Só que ele não pára de congelar. O gelo já tomou conta dele todinho, não há mais espaço para colocar nada dentro. Há tanto gelo, Papai Noel, que o congelador está expulsando todas as coisas de dentro dele para dar lugar à expansão da neve.
Já chamei todos os técnicos, já pedi a Deus, já tirei da tomada, já deixei jogado num canto, já li o manual... Mas nada acontece. Nada mesmo. O congelador continua congelando.
Minha casa está ficando fria, meus dias estão ficando frios, tudo que vejo e que toco está se refrigerando. Papai Noel, creia-me: eu gosto de calor. Sou brasileiro, gosto de praia, de frescobol, de 40 graus. Não gosto desse frio todo não. Eu quero é calorão, aquele que não deixa e gente dormir sem ligar o ar no máximo.
Então, Bom Velhinho, vou me despedir com o coração na mão e a mão apontando pro céu pra ver se acho uma rena voadora. Por favor, vê se dá pra arranjar um jeitinho de descongelar o congelador pra mim... Sei lá, um isqueiro mágico ou uma caixa de fósforos poderosa... Estou torcendo, viu?
Um beijo, Noel
Do brasileiro do congelador.
PS: Eu fui bonzinho esse ano. Segurei o meu orgulho, maneirei na raiva, no rancor e na tristeza. Papai Noel, eu sorri até quando tinha que chorar.
Ponto final.
Feliz Natal
ho-ho-ho
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Estradinha
- Que pedras grandes. Acho que paro por aqui. – Ele disse, já voltando-se para trás.
- Mas por quê? Você não disse que tinha o sonho de chegar lá em cima? Falta tão pouco agora... Eu vou com você! – A reação inesperada do rapaz espantara a menina, que já tinha começado a escalar.
- Ninguém me trouxe, ninguém vai me levar. Vou sozinho. É uma questão minha, vou resolver.
- Ninguém te trouxe, mas eu te encontrei pelo caminho. Você me convidou para seguir contigo, então eu vou.
- Não tente me entender. Não dá. Volto e talvez outro dia eu continue. O fim da tarde se aproxima, não sei se é seguro.
- São cinco da tarde, não há motivos pra ir embora. Fica. Eu vou com você. Não é tão alto.
O rapaz olhava pra ela. Por que tanta insistência? Ele tinha motivos pra subir? Tinha. Mas começara a desconfiar deles. A volta lhe parecia mais atraente. A solidão, o caminho sem aquela menina tagarela devia ser melhor.
- Não vou. Já decidi. Me desculpe te deixar aqui. Se quiser, te levo em casa.
- Não. Eu fico. Você também. Eu sei que você quer subir, me falou disso o caminho inteiro. Nós andamos tanto... Vamos subir, senão é viagem perdida!
- Às vezes quando se chega perto do abismo, é melhor pular.
Ela fez cara de interrogação. Não sabia o que ele queria dizer com aquilo.
- Como assim? – Perguntou.
- Nem sempre tomamos as decisões certas. Quando chegamos bem perto de alcançarmos o que queríamos percebemos que é melhor desistir e abrir mão.
- E você sabe tão bem o que quer?
- Não. Mas senti que é melhor voltar. Em casa é mais quente, mais confortável.
- Mas aqui está o que você quer. Como você me convida e depois me abandona?
- Não vou te abandonar. Quer que eu te deixe em casa? Ou que eu te ligue amanhã pra ver se você chegou bem?
- Não. Vou continuar. Vem comigo. Eu juro que não falo nada. Juro que não vou te ajudar a subir. Vou atrás, bem quietinha.
Só a notícia de que ela não iria mais falar, já dava uma sensação de alívio ao rapaz. Resolveu aceitar, ela não ia ceder mesmo.
- Ok. Vamos.
E subiram. O caminho daquele pequeno morro era íngreme e possuía muitas pedras. Eles foram com dificuldade.
Ele escorregou e agarrou na manga da camisa dela.
- Você está sempre aí atrás pra me segurar, né? – Os dois riram. Ele já não estava tenso.
Já se via o pico, onde a elevação acabava. Ele chegou lá primeiro e ficou olhando a moça se aproximar. Ela estava exausta, mas trazia consigo um sorriso aberto.
- Não é lindo? – ele perguntou ao vê-la chegar
- É... Muito lindo. Valeu a pena?
- Sim. Você me fez chegar aqui e agora eu sei que valeu a pena.
- Você falou lá embaixo sobre o pulo. Quer pular?
- Não. Prefiro ver o sol se pôr do seu lado.
(Luisa Iva Maia Forte)
Passou a UFF! Menos uma!
Agora só falta o ENEM e as segundas provas.
Pra comemorar, eu mudei o visual do blog :D
Semana que vem acho que vou ter a colaboração da minha querida priminha loiríssima e bronzeada Rayssa.
No mais, é isso aí.
Amanhã eu grito: FÉRIAS!
E aí eu coloco mais textos aqui.
Hoje não é ponto final, tô a fim de colocar reticências.
...
Beijo grande!
(01/12/2009)
- Mas por quê? Você não disse que tinha o sonho de chegar lá em cima? Falta tão pouco agora... Eu vou com você! – A reação inesperada do rapaz espantara a menina, que já tinha começado a escalar.
- Ninguém me trouxe, ninguém vai me levar. Vou sozinho. É uma questão minha, vou resolver.
- Ninguém te trouxe, mas eu te encontrei pelo caminho. Você me convidou para seguir contigo, então eu vou.
- Não tente me entender. Não dá. Volto e talvez outro dia eu continue. O fim da tarde se aproxima, não sei se é seguro.
- São cinco da tarde, não há motivos pra ir embora. Fica. Eu vou com você. Não é tão alto.
O rapaz olhava pra ela. Por que tanta insistência? Ele tinha motivos pra subir? Tinha. Mas começara a desconfiar deles. A volta lhe parecia mais atraente. A solidão, o caminho sem aquela menina tagarela devia ser melhor.
- Não vou. Já decidi. Me desculpe te deixar aqui. Se quiser, te levo em casa.
- Não. Eu fico. Você também. Eu sei que você quer subir, me falou disso o caminho inteiro. Nós andamos tanto... Vamos subir, senão é viagem perdida!
- Às vezes quando se chega perto do abismo, é melhor pular.
Ela fez cara de interrogação. Não sabia o que ele queria dizer com aquilo.
- Como assim? – Perguntou.
- Nem sempre tomamos as decisões certas. Quando chegamos bem perto de alcançarmos o que queríamos percebemos que é melhor desistir e abrir mão.
- E você sabe tão bem o que quer?
- Não. Mas senti que é melhor voltar. Em casa é mais quente, mais confortável.
- Mas aqui está o que você quer. Como você me convida e depois me abandona?
- Não vou te abandonar. Quer que eu te deixe em casa? Ou que eu te ligue amanhã pra ver se você chegou bem?
- Não. Vou continuar. Vem comigo. Eu juro que não falo nada. Juro que não vou te ajudar a subir. Vou atrás, bem quietinha.
Só a notícia de que ela não iria mais falar, já dava uma sensação de alívio ao rapaz. Resolveu aceitar, ela não ia ceder mesmo.
- Ok. Vamos.
E subiram. O caminho daquele pequeno morro era íngreme e possuía muitas pedras. Eles foram com dificuldade.
Ele escorregou e agarrou na manga da camisa dela.
- Você está sempre aí atrás pra me segurar, né? – Os dois riram. Ele já não estava tenso.
Já se via o pico, onde a elevação acabava. Ele chegou lá primeiro e ficou olhando a moça se aproximar. Ela estava exausta, mas trazia consigo um sorriso aberto.
- Não é lindo? – ele perguntou ao vê-la chegar
- É... Muito lindo. Valeu a pena?
- Sim. Você me fez chegar aqui e agora eu sei que valeu a pena.
- Você falou lá embaixo sobre o pulo. Quer pular?
- Não. Prefiro ver o sol se pôr do seu lado.
(Luisa Iva Maia Forte)
Passou a UFF! Menos uma!
Agora só falta o ENEM e as segundas provas.
Pra comemorar, eu mudei o visual do blog :D
Semana que vem acho que vou ter a colaboração da minha querida priminha loiríssima e bronzeada Rayssa.
No mais, é isso aí.
Amanhã eu grito: FÉRIAS!
E aí eu coloco mais textos aqui.
Hoje não é ponto final, tô a fim de colocar reticências.
...
Beijo grande!
(01/12/2009)
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Demorei, mas voltei!
A minha única certeza, é que a dúvida existe. Eu corro atrás de algo que nem eu mesma sei o que é. Só sei que é vago. Mas eu quero. E, de tanto querer, chego a não querer. E do desejar tão intenso, a chama se apaga. Normal. Na verdade, normal mesmo, é não ter nexo algum.
Eu não gosto de lugares lotados, mas a minha cabeça está abarrotada de idéias conflitantes que fazem a cada dia um carnaval maior. E nem por isso eu posso dizer que estou acostumada com essa situação. Até porque, acostumar-se não é uma coisa boa. Eu procuro não me acostumar com nada. Ficar confortável demais numa situação me gera desconforto.
Quanto mais achamos que vamos acertar, maior é a possibilidade do erro. E quanto maior é a altura, mais dolorosa é a queda. Mesmo assim, não é legal se acomodar. Não mesmo. Acomodação gera dúvida. E dúvidas muitas vezes não têm resposta. E a falta de resposta gera o caos. O caos não é bom, mesmo que a maioria de nós consiga conviver com ele.
Quanto mais eu avanço, mais regresso pra dentro de mim.
Quanto mais eu corro, mais eu quero voltar.
Mas não volto.
Volto não.
Cotidiano
Eu continuo esperando você passar
Parece que não vem tão cedo
Parece que vai demorar.
Tô esperando você surgir naquela esquina
Como sempre, essa sina,
Essa repetição contínua
O dia de todo-dia
A cena de todo dia.
Tô aqui parada, encostada
No muro de cal
Em frente à papelaria
Na rua principal
Nesse final de dia
Já são seis horas
E cadê você?
Cadê?
Cadê? Cadê você?
Cadê você que não passa?
Nesse contínuo movimento,
Nesse todo tormento
Vejo o mundo menos você
E nada de passar
Nada de passar, passar
Nada de passar
Nada de passar
Nada de passar...
Passou!
Puta que o pariu!
Eu tava amarrando o cadarço.
Luisa Iva
27/10/2009
Ponto final.
Tô morrendo de pressa, mas senti saudade.
Prometo postar com mais frequência!
Beijos a todos, em especial ao pessoal que andou lendo o blog nesse tempinho.
Eu não gosto de lugares lotados, mas a minha cabeça está abarrotada de idéias conflitantes que fazem a cada dia um carnaval maior. E nem por isso eu posso dizer que estou acostumada com essa situação. Até porque, acostumar-se não é uma coisa boa. Eu procuro não me acostumar com nada. Ficar confortável demais numa situação me gera desconforto.
Quanto mais achamos que vamos acertar, maior é a possibilidade do erro. E quanto maior é a altura, mais dolorosa é a queda. Mesmo assim, não é legal se acomodar. Não mesmo. Acomodação gera dúvida. E dúvidas muitas vezes não têm resposta. E a falta de resposta gera o caos. O caos não é bom, mesmo que a maioria de nós consiga conviver com ele.
Quanto mais eu avanço, mais regresso pra dentro de mim.
Quanto mais eu corro, mais eu quero voltar.
Mas não volto.
Volto não.
Cotidiano
Eu continuo esperando você passar
Parece que não vem tão cedo
Parece que vai demorar.
Tô esperando você surgir naquela esquina
Como sempre, essa sina,
Essa repetição contínua
O dia de todo-dia
A cena de todo dia.
Tô aqui parada, encostada
No muro de cal
Em frente à papelaria
Na rua principal
Nesse final de dia
Já são seis horas
E cadê você?
Cadê?
Cadê? Cadê você?
Cadê você que não passa?
Nesse contínuo movimento,
Nesse todo tormento
Vejo o mundo menos você
E nada de passar
Nada de passar, passar
Nada de passar
Nada de passar
Nada de passar...
Passou!
Puta que o pariu!
Eu tava amarrando o cadarço.
Luisa Iva
27/10/2009
Ponto final.
Tô morrendo de pressa, mas senti saudade.
Prometo postar com mais frequência!
Beijos a todos, em especial ao pessoal que andou lendo o blog nesse tempinho.
domingo, 23 de agosto de 2009
Minhas impaciências.
Eu demorei, esqueci, lembrei, me chateei e até pensei em excluir o blog. Mas me deu vontade de escrever, de continuar. Aqui é meu cantinho. Vou ficar.
Aos brados
Eu não quero a poesia pensada,
Ritmada, cheia de métrica.
Quero prosa, confusão,
Paralelepípedo, engarrafamento.
Quero tempo nublado,
Ou um sol escaldante
Quero árvore seca,
Um gato, um preá.
Não quero rima,
Quero loucura, insanidade,
Quero críticas tolas
Pra poder rir de deboche.
Cansei de decassílabos,
Das redondilhas,
Dos trocadilhos.
Quero jogo de futebol.
Cansei de domingo no cinema,
Cansei de novela, de TV,
Quero rádio e um livro de receitas de geléia.
Cansei das normas,
Das leis burguesas,
Da maquinaria,
Cansei da frieza, do jogo,
Da falta de ritmo.
Eu quero é falta de noção!
Quero andar descalça,
Fazer desenho com giz de cera,
Gritar bem alto.
Quero uma inseticida.
Quero ler o que não me interessa,
Ouvir o que eu não entendo
E morrer de amor.
Quero pular de alegria,
Quebrar salto alto,
Andar a pé,
Esquecer os modos.
Cansei de lirismo,
Hoje eu quebro tudo.
Vou passar por cima
Das infelizes convenções.
Quero ler o que não me interessa,
Ouvir o que eu não entendo
E morrer de amor.
Luisa Iva
em 23/08/2009
Até breve.
Ponto final.
Aos brados
Eu não quero a poesia pensada,
Ritmada, cheia de métrica.
Quero prosa, confusão,
Paralelepípedo, engarrafamento.
Quero tempo nublado,
Ou um sol escaldante
Quero árvore seca,
Um gato, um preá.
Não quero rima,
Quero loucura, insanidade,
Quero críticas tolas
Pra poder rir de deboche.
Cansei de decassílabos,
Das redondilhas,
Dos trocadilhos.
Quero jogo de futebol.
Cansei de domingo no cinema,
Cansei de novela, de TV,
Quero rádio e um livro de receitas de geléia.
Cansei das normas,
Das leis burguesas,
Da maquinaria,
Cansei da frieza, do jogo,
Da falta de ritmo.
Eu quero é falta de noção!
Quero andar descalça,
Fazer desenho com giz de cera,
Gritar bem alto.
Quero uma inseticida.
Quero ler o que não me interessa,
Ouvir o que eu não entendo
E morrer de amor.
Quero pular de alegria,
Quebrar salto alto,
Andar a pé,
Esquecer os modos.
Cansei de lirismo,
Hoje eu quebro tudo.
Vou passar por cima
Das infelizes convenções.
Quero ler o que não me interessa,
Ouvir o que eu não entendo
E morrer de amor.
Luisa Iva
em 23/08/2009
Até breve.
Ponto final.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Pegadas.
Só pra deixar miha marca, minha pegada, meu "oi".
A culpa da introdução pobre e da poesia velha é toda do vestibular. Podem brigar com ele, eu deixo!
Estrelário
A estrela no peito,
No céu da boca,
Das duas bocas
Brilhou de um jeito,
Da forma louca
Que ficou pra decifrar.
A estrela brilhando
Nos olhos,
Dos olhos nos olhos
Foi se acostumando
Com a paisagem do lugar.
O brilho do céu,
Da boca,
Do céu da boca,
Dos olhos,
Do ar;
Deixava aquela estrela
Parecer pequena,
Parecer miúda,
Mas sem se apagar.
Que seria estrela?
Seria lama?
Seria drama?
Conta de colar?
Quem sabe um dia
Se descubra estrela,
Mais nova chama
Que vai se incendiar.
Luisa Iva
2008
Ponto final.
A culpa da introdução pobre e da poesia velha é toda do vestibular. Podem brigar com ele, eu deixo!
Estrelário
A estrela no peito,
No céu da boca,
Das duas bocas
Brilhou de um jeito,
Da forma louca
Que ficou pra decifrar.
A estrela brilhando
Nos olhos,
Dos olhos nos olhos
Foi se acostumando
Com a paisagem do lugar.
O brilho do céu,
Da boca,
Do céu da boca,
Dos olhos,
Do ar;
Deixava aquela estrela
Parecer pequena,
Parecer miúda,
Mas sem se apagar.
Que seria estrela?
Seria lama?
Seria drama?
Conta de colar?
Quem sabe um dia
Se descubra estrela,
Mais nova chama
Que vai se incendiar.
Luisa Iva
2008
Ponto final.
sábado, 25 de abril de 2009
Mão no mouse, mão no mundo.
Ctrl C Ctrl V
- Ai, meu Deus!
Respirou. Já transpirava. Não estava tanto calor assim.
- Ai, meu Deus!
Exercício mental também cansa. Ela sabia disso. Coçou a cabeça uma, duas vezes. Apoiou a mão no queixo.
- Ui... E agora?
Ela sabia que não era por ali. Sabia disso. Já tinha visto alguém fazer diferente antes. O que mesmo a Julinha lhe tinha explicado? Como era que se fazia?
- Ai, meu Deus!
Deus já devia estar preocupado de tanto que lhe evocava o nome. Ela transpirava. Trinta minutos já haviam corrido.
“Agora vai, agora vai.” Não foi. Não foi mesmo. Tudo errado. Teria que desfazer o que já tinha feito?
- Ai, meu Deus!
Ela tinha dado ênfase no “a” do ai. Isso não era bom, era desespero. Mas ela estava determinada. Esticou os braços, alongou o pescoço. Tudo lhe doía.
Na sua época, pensava, nada disso era necessário. Era-se feliz simplesmente. Sem fast-food, sem videogame, sem celular e sem aquela maquininha que lhe tirava o sono.
A luz que dela saía era encantadora, realmente fascinante. Via os mais jovens mexerem nela com tanta facilidade... Por que lhe resultava tão difícil?
Mas ela não desistia. Já tinha conseguido selecionar o texto na página da internet. Estava tudo azulzinho.
Suspirou, respirou fundo, agarrou aquele “trequinho de clicar”.
Botão direito.
- Ai, meu Deus!
Abriu uma janelinha. Chegou mais perto para ver. Leu baixinho.
- Copiar. Uhm... Copiar.
Apertou meio desconfiada. Não percebeu, mas tinha prendido a respiração.
Abriu o Word.
- Ai, meu Deus!
Olhou a página em branco. Botão direito. Janelinha aberta.
- Colar.
Clicou. Fechou os olhos levemente.
Quando soltou a respiração, a página já estava toda preenchida. Benditas letrinhas!
Sorriu pela sua conquista.
- Ai, meu Deus!
Dessa vez, não era um apelo, era agradecimento.
Luisa Iva
em 25/04/2009
Texto para o Movimento Blog Voluntário - contra o analfabetismo digital.
Vamos valorizar o esforço de quem está começando a se inserir no mundo virtual, galera!
Ponto final pontocompontobr.
- Ai, meu Deus!
Respirou. Já transpirava. Não estava tanto calor assim.
- Ai, meu Deus!
Exercício mental também cansa. Ela sabia disso. Coçou a cabeça uma, duas vezes. Apoiou a mão no queixo.
- Ui... E agora?
Ela sabia que não era por ali. Sabia disso. Já tinha visto alguém fazer diferente antes. O que mesmo a Julinha lhe tinha explicado? Como era que se fazia?
- Ai, meu Deus!
Deus já devia estar preocupado de tanto que lhe evocava o nome. Ela transpirava. Trinta minutos já haviam corrido.
“Agora vai, agora vai.” Não foi. Não foi mesmo. Tudo errado. Teria que desfazer o que já tinha feito?
- Ai, meu Deus!
Ela tinha dado ênfase no “a” do ai. Isso não era bom, era desespero. Mas ela estava determinada. Esticou os braços, alongou o pescoço. Tudo lhe doía.
Na sua época, pensava, nada disso era necessário. Era-se feliz simplesmente. Sem fast-food, sem videogame, sem celular e sem aquela maquininha que lhe tirava o sono.
A luz que dela saía era encantadora, realmente fascinante. Via os mais jovens mexerem nela com tanta facilidade... Por que lhe resultava tão difícil?
Mas ela não desistia. Já tinha conseguido selecionar o texto na página da internet. Estava tudo azulzinho.
Suspirou, respirou fundo, agarrou aquele “trequinho de clicar”.
Botão direito.
- Ai, meu Deus!
Abriu uma janelinha. Chegou mais perto para ver. Leu baixinho.
- Copiar. Uhm... Copiar.
Apertou meio desconfiada. Não percebeu, mas tinha prendido a respiração.
Abriu o Word.
- Ai, meu Deus!
Olhou a página em branco. Botão direito. Janelinha aberta.
- Colar.
Clicou. Fechou os olhos levemente.
Quando soltou a respiração, a página já estava toda preenchida. Benditas letrinhas!
Sorriu pela sua conquista.
- Ai, meu Deus!
Dessa vez, não era um apelo, era agradecimento.
Luisa Iva
em 25/04/2009
Texto para o Movimento Blog Voluntário - contra o analfabetismo digital.
Vamos valorizar o esforço de quem está começando a se inserir no mundo virtual, galera!
Ponto final pontocompontobr.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Amor, inspirações.
Digamos que o poema seja uma "parceria" com Vinicius de Moraes (Soneto de Fidelidade).
Amor, inspirações.
De tudo ao meu amor serei atento
Não que seja atenção o meu forte
Ou que tenha tido ao encontrá-lo
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
E a cada dia, a cada nova hora
A cada instante mudo, a cada respirar
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
E meus olhos, e meu riso e minha alma.
Quero vivê-lo em cada vão momento
Porque momento de amor nunca é vão
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
Em cada esquina, em cada pedaço de chão
E rir meu riso e derramar meu pranto
De lágrimas transparentes brilhantes de amor
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Porque deixar a vida seria abdicar de ti
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
E dor que transcende a morte
Eu possa dizer do amor (que tive)
E tenho, e vivo, e guardo no peito:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Eu posso abrir uma exceção:
Quer durar para sempre?
Luisa Iva, 22/04/2009
Reticências, corações, suspiros
E ponto final.
Amor, inspirações.
De tudo ao meu amor serei atento
Não que seja atenção o meu forte
Ou que tenha tido ao encontrá-lo
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
E a cada dia, a cada nova hora
A cada instante mudo, a cada respirar
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
E meus olhos, e meu riso e minha alma.
Quero vivê-lo em cada vão momento
Porque momento de amor nunca é vão
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
Em cada esquina, em cada pedaço de chão
E rir meu riso e derramar meu pranto
De lágrimas transparentes brilhantes de amor
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Porque deixar a vida seria abdicar de ti
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
E dor que transcende a morte
Eu possa dizer do amor (que tive)
E tenho, e vivo, e guardo no peito:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Eu posso abrir uma exceção:
Quer durar para sempre?
Luisa Iva, 22/04/2009
Reticências, corações, suspiros
E ponto final.
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